terça-feira, novembro 23, 2004


A vida de formiga


Helena Bacco (7 anos)


Era uma vez uma formiguinha chamada Fiona.
Todos os dias ela e as outras formigas iam colher folhas, frutas e pétalas de flores.
Fiona adorava isso!
Até que um dia, Fiona se cansou disso.
E foi até a formiga rainha e perguntou:
- Formiga rainha por que somos formigas?
Perguntou a jovem.
A rainha não sabia como responder mas sabia como mentir.
Então disse a jovem que a primeira formiga a existir fez uma poção mágica que fez mais formigas e é assim que eram formigas.

Mas Fiona não acreditou e saiu a procura de saber sobre o assunto.
Ela perguntou para todas as formigas, mas todas contavam uma mentira.
Até que Fiona resolveu sair do formigueiro.

Ela andou, andou , andou e andou até que chegou a um formigueiro.
Perguntou, perguntou e perguntou mas nada adiantou.
E andou, andou e andou até que chegou a outro formigueiro.
E perguntou, perguntou e perguntou, mas nada.

Ela andou por vários e vários anos.
Até que encontrou outra formiga que queria saber a mesma coisa.
Fiona perguntou o que ela estava fazendo ali e ela respondeu:
Que estava a procura de saber por que era uma formiga .
Fiona perguntou:
Qual é o seu nome?
E ela respondeu:
Meu nome é Terezina.
Então Terezina, venha comigo.

Viajaram até que encontraram uma arara que deu carona em troca de umas minhocas.
Voaram, voaram e voaram até que as minhocas acabaram e a arara desceu .
Quando a arara desceu as formiguinhas perguntaram:
Você sabe porque somos formigas?
A arara respondeu:
Não.
E continuaram a sua jornada.

Fiona e Terezina andaram, andaram e andaram até que encontraram um rio e na mesma hora apareceu um peixe que perguntou se precisavam de ajuda .
As formiguinhas disseram que sim.

Então elas pularam nas costas dele e atravessaram.
Quando elas chegaram na margem,antes de pularem para fora, elas
Perguntaram:
Você sabe porque somos formigas?
O peixe disse :
Não.
Então elas agradeceram e pularam para fora.

Elas andaram e andaram até que anoiteceu elas encontraram um esquilo que ofereceu pousada, elas aceitaram.
Quando amanheceu, antes de saírem, perguntaram:
Você sabe porque somos formigas?
O esquilo respondeu:
Não.
Elas agradeceram e se despediram.
Elas andaram, andaram e andaram até que encontraram uma borboleta.
Ela ofereceu comida .
E elas aceitaram.
Elas perguntaram:
Você sabe porque somos formigas?
A borboleta respondeu:
Não.
Então elas agradeceram e se despediram.

Andaram, andaram e andaram e encontraram uma coruja que perguntou :
Vocês precisam de ajuda?
Elas responderam:
Sim precisamos,
Queremos saber porque somos formigas!
A coruja respondeu:
A eu posso ajudar se vocês quiserem.
As formiguinhas responderam:
Sim queremos.
A coruja explicou que a muito tempo atras um homem chamado Jesus criou um
Inseto chamado formiga e é por isso que são formigas.
Elas voltaram e contaram porque eram formigas.



(helena bacco, uma menina de sete anos, escreveu seu primeiro conto. objetiva, quase lacônica, ela nos conduz pelos caminhos de uma formiga, que pensa , argumenta, pergunta mas não se detém em angústias. aceita a primeira explicação que lhe é dada.
helena narra com mão segura a viagem da formiga fiona que deseja saber o que todos nós queremos ver respondido: afinal, por quê somos formigas?)

sexta-feira, novembro 19, 2004

ó!!!!!!!!!!

minha cabeça está entupida de letras tanta letra é muita letra
quando digo cabeça falo do que está em baixo do cabelo, do couro onde ele brota, minha grama, do que esta dentro do osso cartilagens. digo sobre o que vem antes, mas não sei se é após o nariz, a boca, os olhos, a orelha. estou explicando sobre o que os poros as rugas as riscas escondem. antes e o após são questões de ponto de vista, assim como dentro ou fora.
pois é. lá está tão cheio de letras que o ar da respiração precisa fazer caminhos para respirar. não é ainda falta de ar. mas empecilho. respirar com os olhos tem efeito benéfico. semelhança de que mais ar consegue penetrar.

é preciso inundação de imagens e sons para desertificar enviar as letras para a periferia e permitir passagem para o ar que respiro. minha cabeça, ai pobre, está tão cheia de letras, mas tão que começo a arrumar gavetas em cada lobo que confundo com cão. esvaziar é o signo.



minha cabeça está entupida de letras tanta letra é muita letra
quando digo cabeça falo do que está em baixo do cabelo, do couro onde ele brota, minha grama, do que esta dentro do osso cartilagens. digo sobre o que vem antes, mas não sei se é após o nariz, a boca, os olhos, a orelha. estou explicando sobre o que os poros as rugas as riscas escondem. antes e o após são questões de ponto de vista, assim como dentro ou fora.
pois é. lá está tão cheio de letras que o ar da respiração precisa fazer caminhos para respirar. não é ainda falta de ar. mas empecilho. respirar com os olhos tem efeito benéfico. semelhança de que mais ar consegue penetrar.

é preciso inundação de imagens e sons para desertificar enviar as letras para a periferia e permitir passagem para o ar que respiro. minha cabeça, ai pobre, está tão cheia de letras, mas tão que começo a arrumar gavetas em cada lobo que confundo com cão. esvaziar é o signo.

quarta-feira, novembro 17, 2004

lembrança, nana, puxa! lembrança.


"Lembrança
Lendo este texto lembrei-me do meu avô que era tropeiro. Em torno de 1920, viajou do Rio Grande do Sul até São Paulo a cavalo. Dizem que ficou por aqui porque conheceu uma bela morena (minha avó) e se apaixonou. Mas eu acho que essa viagem foi tão sofrida que ele não quis pegar o caminho de volta.
Espero que o sol não se acabe, amiga, porque detesto tomar banho de água fria.
Beijos.
Nana Siqueira"


o comentário da nana fez-me lembrar de um tropeiro com quem convivi durante alguns meses numa fazenda em silva jardim no estado do rio. o nico pichixica. nico era um homem instruído , antenado, como se diz hoje , conhecimento político impecável e lia seu jornal todo santo dia. tropeiro a vida inteira levava, como contou, gado por este brasil de ai meu deus, atravessando as porteiras de tudo quanto era estado.

parou quando a mulher ganhou coragem para solicitar.

só que o jornal que o nico lia era sempre da semana anterior. o patrão, o ex- vice-governador cassado do estado do rio joão batista da costa levava todos os sábados para ele os jornais da semana que passara, quando pagava os trabalhadores da fazenda.

sentado à mesa posta ao tempo, sob uma árvore, o colono se achegava, trocava meio dedo de prosa com o patrão, tomava um café e ia para a cidade, numa kombi da fazenda, sem que nada a mais lhe fosse cobrado, fazer as compras. geralmente de material de limpeza, sapatos e panos para roupa, pois o demais havia na terra.

a kombi servia também para evitar que o dinheiro da semana fosse
"corrompido" em cachaça, termo empregado pelo nico, pois havia de ser cumprida a hora do retorno.

lógico que estou falando de um fazendeiro que acreditava no socialismo e praticava o zen-budismo.
estava eu lá em descanso, após algum tempo no doi-codi de são paulo refazendo a alma . às noites jantava a boa refeição que a mulher do nico preparava e conversávamos sobre o destino político do mundo. retornava para a casa grande com a noite adiantada assustando os colonos, segundo me foi contado depois pelo amigo joão. eles me tinham como assombração pois não temia andar no meio do pasto em tal hora da noite.
como não "veve com medo" deveria ser uma delas.

pois é, nana. alguns anos mais tarde , com meu filho, refiz alguns dos
passos de guimarães rosa no livro "grande sertão e veredas" que li na
fazenda de silva jardim, protegida pelas enormes raízes de um fícus
centenário, que eu transformara em minha caverna de leitura.

no final da década de 70 saí de cordisburgo, após uma conversa com
manuelzão, o manuel nardy, que me contou mais alguns vinténs de boa prosa.na ocasião, um vaqueiro aposentado pelo funrural.

“nasceu em dom silvério e passou os quase 93 anos de sua vida vivendo a maior parte dela no sertão mineiro. ficou órfão de pai quando ainda era criança. também foi cedo que decidiu sair de casa para vencer na vida. o primeiro emprego foi como cozinheiro de tropa, que o levou a conhecer bem o interior de minas. no início dos anos 50 conheceu joão guimarães rosa, na época, autor já consagrado pelo livro "sagarana". o escritor passou uma temporada no sertão mineiro tendo como guia o senhor nardy. o resultado dessa viagem
foi o romance "grande sertão: veredas" e a convivência entre os dois
inspirou a criação do personagem "manuelzão", do livro "manuelzão e
miguilim". manuelzão dizia que guimarães rosa foi uma mudança na vida dele. "quando eu agüentava trabalhar, eu estava sempre ocupado. se eu não conheço ele, eu hoje estava um velho encravado. ninguém ia lembrar de mim. pois se velho nem consegue trabalho! eu não aprendi muito com ele porque tudo o que ele perguntava, anotava num caderninho. mas a gente não anotava nada do que ele dizia. então, esqueci muita coisa".http://www.manuelzao.ufmg.br/quemfoi/quem-bio.htm

puxando mais o fio do barbante, nana, lembrei com saudades da silvinha, filha do joão batista da costa que não vejo tem mais de dez anos. mas recordei com prazer de idos, contados e vividos.

obrigada, nana, por acender a vela.
beijos

segunda-feira, novembro 15, 2004

comadre clemilce,

já ouviu contar que a gasolina acaba em dois anos? e aí comadre? sábios eram nossos avós que iam de carroça e cavalo de um ponto pra outro do planeta e ainda usavam a bosta do dito para estrume.

por conta deste aviso , comadre, vou pra roça esta semana encomendar um cavalo e uma carroça antes que os preços disparem. trago também uma boa égua parideira. para ter garantia de pernas. você pode ler aqui sobre a curva de hubbert e, lá no pé da carta, eu colei uma informação de peritos sobre o assunto

os homens querem dominar o mundo e taí o resultado. sabe que hoje fui tomar banho direto da placa solar às 10 horas, sem usar o boiler, e a água não estava quente como gosto? porque comadre, porque o sol não sabe de decreto presidencial que cria o horário de verão. e dez horas , para o sol, ainda eram nove.

olha só : esbanjaram água, desviaram os rios, a energia elétrica foi usada sem escrúpulos e deu nisto: o mundo inteiro tendo de economizar energia. energia, comadre, o que move o mundo! vou contar, você pode fazer o mesmo, instalar placa solar para iluminar a casa. o sol carrega uma bateria que liga até computador, sabia? e não fica caro mudar o sistema. já estou providenciando. a droga será quando o sol desligar de vez.

você me perguntou na última carta pela jurema. a jurema está nos dias de ter a criança. o pai está todo bobo e a futura avó , nem conto. parece uma amiga minha distante, lá do recife, que não pára de babar a neta letícia. ela está pensando, como todo mundo que conheço, em criar comunidades onde famílias e amigos possam conviver porque as viagens, comadre, em breve, nem pensar. serão como no antigamente, com entrepostos nos caminhos, pequenas pousadas para o povo descansar o lombo doído de montar, e de ser socavado nas estradas ao compasso do passo das mulas carregando a família e suas malas para visitar parentada. escreva comadre, pode escrever; é o que virá.

mais um detalhe: cave um poço no fundo do quintal. faltará água potável também. tomara que você consiga pegar água do aqüífero guarani.

no mais, beijo no julinho , meu afilhado, abraços no augusto, e fique com minhas saudades comadre. ah, segue junto umas sementes de abóbora de pescoço. está no tempo de plantio, comadre.

um abraço de sua amiga de sempre

esther


PREVISÃO DE US$125 POR BARRIL
A produção mundial de petróleo atingirá o seu pico nos próximos dois anos e a seguir começará a definhar, remetendo os preços para cerca de US$125 por barril. A previsão é do dr. Sansan Ali Bakhtiari, perito iraniano em petróleo, que a convite do governo australiano fez uma palestra acerca das reservas mundiais de petróleo.
O dr. Bakhtiari considera que a falta de segurança económica afectará as taxas de fertilidade de países pouco povoados como a Austrália. "Penso que a grande mudança terá, muito em breve, impacto sobre a população", afirmou. Assim, acrescentou "eu não construiria muitas escolas adicionais: haverá menos crianças". Além disso, "não construiria aeroportos hoje: haverá muito menos viagens pois elas ficarão demasiado caras". resistir.info

quinta-feira, novembro 11, 2004

na boca do lixo

a ponte de aço , concreto, madeira deve ter sido inventada porque o ser humano descobriu que suas relações dependiam delas para vingar. seja entre duas pessoas, seja quando surge uma terceira, que após a ponte vira caminho. pois foi assim; no meio do caminho encontrei ana laura diniz, jornalista, escritora, produtora musical, só porque uma pinguela me encaminhou a ela: um grupo no link do estadão sobre marília medalha.
MARILIA.jpg
marilia medalha em foto de carolina andrade e arte de ana laura

então o distante ficou próximo e ganhei uma amiga a me lembrar a vida vivida com muito prazer : marly, marilia. esta a ponte do chão, quando interpretava rainha quelé, sobre a vida de clementina de jesus, em são paulo, produção executiva de ana laura diniz: marilia medalha. a outra, profunda, é ponte de sangue, a poeta marly, etérea, pingo d'água em meus olhos. em minh' alma , alegria e beleza.


Ana Laura diz:
Existem prostitutas que ensinam os clientes a eliminar manchas de batom
com miolo de pão, pois acreditam que "a outra que está em casa não tem
obrigação de lavar batom de puta", como elas mesmo dizem.

Ana Laura diz:
Não beijar é uma das regras mais tradicionais entre as garotas de
programa, pois o beijo facilita o envolvimento emocional. Mas Valesca,
nossa personagem principal, beija. Ela diz que respeita o dinheiro do
cliente.

Ana Laura diz:
Algumas garotas de programa se oferecem nos cinemas da região e aproveitam
a excitação dos homens para levantar dinheiro mais facilmente e economizar
tempo, uma vez que os expectadores já estão estimulados pelos filmes
pornográficos

Ana Laura diz:
Embora intermediários do sexo, como cafetões e cafetinas, ainda transitem
na região, eles são poucos, pois perderam espaço para a presença
predominante de teatros e cafés.

Ana Laura diz:
Os riscos corridos pelas prostitutas giram principalmente em torno de
doenças sexualmente transmissíveis, agressões físicas e drogas, cuja
presença na região é marcante.

Ana Laura diz:
E pra finalizar...
Ana Laura diz:
Hoje, o que é chamado de centro velho já foi centro novo, quando a
construção do viaduto do Chá facilitou a ocupação da área em direção à
Praça da República, em 1892. Um novo núcleo urbano foi se consolidando com
o surgimento de cassinos, cafés-concerto, teatros de variedades e
confeitarias freqüentadas por famílias todas as tardes. Depois iam embora,
pois chegavam as cocottes,

Ana Laura diz:
como eram conhecidas as prostitutas então. Até 1953, a "zona"
concentrava-se no bairro do Bom Retiro. Um decreto governamental extinguiu
a área oficial do meretrício, fazendo com que as prostitutas se mudassem
para o bairro dos Campos Elíseos, que desemboca na praça da República... a
região da Boca do Lixo.

autoras_casa_de_show.jpg
as autoras do livro em frente a uma casa de show

Ana Laura Diniz fala sobre o livro "Contos de Bordel - A prostituição feminina na Boca do Lixo de São Paulo" escrito por ela ,Renata Bortoleto, e Michele Izawa , publicado pela editora canhenho com prefácio de Florestan Fernandes Jr.; orelha de Carlos Dias e Crítica de Heródoto Barbeiro e Marcelo Coelho.

nesta conversa de final de tarde em horário de verão, horário estabelecido por decreto governamental, a prostituir nosso relógio biológico, ana levantou o tapete e , sem pudor, exibiu o chamado resto social, tão antigo quanto e humanidade que denomina lixo o que a assusta.

As moças, quando escreveram o livro, faziam jornalismo na faculdade Cásper Líbero em são Paulo, onde moram. A pesquisa de campo foi realizada por meninas entre 20 e 24 anos.

o livro "Contos de Bordel - A prostituição feminina na Boca do Lixo de São Paulo" venceu o 3º Prêmio Volkswagen de Jornalismo, categoria livro-reportagem.

capa-de-livro.jpg
capa do livro

para começo de conversa,

Ana Laura diz:
Minha linda, seja bem-vinda, sempre
esther diz:
oi ausente, como vai esta presença?(ela constava como ausente no msn, onde
converso este tipo de informação que divido com quem passa por aqui)
Ana Laura diz:
Hahaha, bem, obrigada
Ana Laura diz:
Me pus ausente para me fazer presente para poucas e boas.
tenho presentinhos pra você... vai querer? ou deixa pra outra hora?

esther diz:
quero. quero sim. imagina! e agradeço
Ana Laura diz:
estava mesmo à sua espera... feito a raposinha de Exupéry
Ana Laura diz:
lá vai, docinho.../i>

ela enviou marilia medalha e edu lobo cantando ponteio. ontem já havia chorado
de saudades com marta saré. a vida, esta vida que atropela as afeições mas
não as consegue matar.


esther diz:
este lance de cativar e ser responsável pelo cativado nos obriga a fazer
contas. hoje estou pagando minhas dívidas com eliane estoducto, marcia
maia, mariza lourenço, um ror sem tamanho mensagens que ainda não
respondi. visitas que quero fazer. a lyl bar, a sonja, deus meu! (e
continuo em falta comigo.nenhuma visita feita, nenhum mail respondido.)
esther diz:
fale-me de você. como está a vida?
Ana Laura diz:
mas me tenha sem peso, sem compromisso... apenas como uma coisa boa
.

esther diz:
os amigos não pesam, ana. sinto a falta. e acabei de ganhar você também.
Ana Laura diz:
eu estou completamente enrolada com matérias pra fechar. mas bem.
minha vida é um tanto louca, porque sou freelancer... ora chove na horta,
ora passo meses na seca

Ana Laura diz:
em pouco tempo de profissão já vi, lutei e passei por situações que não
tenho saudades.

Ana Laura diz:
e minha vida virou de pernas para o ar
Ana Laura diz:
em suma, para pagar as contas......... tenho penado
Ana Laura diz:
mas isso passa, um dia passa, hahahaha
esther diz:
hoje fui até são lourenço. na estrada um carro levava escrito no vidro traseiro:
"cuidado, janeiro está chegando. ponha as barbas de molho."
pensei: meu deus outro ano de lástima não suporto. mudo pra portugal a
plantar azeitonas
Ana Laura diz:
estou fazendo matéria para o Instituto Ethos - Responsabilidade Social de
Empresas-, para o site cultural CAPITU, www.capitu.com.br que pra mim ainda é novidade. além da organização do livro de antologia poética de
marly medalha, a poeta e produção musical de Marília e Marvio Ciribelli.

Ana Laura diz:
quero firmar em coisas que, mesmo à longo prazo, acredito e que me
satisfazem como pessoa

Ana Laura diz:
falo de projetos jornalísticos dos quais que bolei a base, mas não
decolei...

Michele-Renata-Ana-Laura.jpg
as meninas comemorando o lançamento do livro. por ordem : michele, renata e ana laura diniz, a ana!

esther diz:
o que te levou a escrever sobre a boca do lixo?
Ana Laura diz:
A idéia era escrever algo que fosse polêmico no sentido de mostrar um
mundo que todos preferem ignorar, seu peso na sociedade, que tivesse
relevância e estivesse comprometido diretamente com o social.

Ana Laura diz:
acredito no jornalismo como canal para discutir, refletir, mostrar a todos
o que ocorre mundo afora

Ana Laura diz:
mas quis ser jornalista por essas e outras
esther diz:
vocês três defendiam alguma tese?
Ana Laura diz:
Não aguento essa coisa de as pessoas olharem e não ver.
Ana Laura diz:
Foi mais ou menos assim
Ana Laura diz:
ainda estudávamos qdo eu disse: qdo sairmos daqui, vamos escrever um livro?
esther diz:
não verem o quê, se poucos vêem alguma coisa? e sequer escutam.
Ana Laura diz:
pois é, Esther
esther diz:
como vocês focaram o tema prostituição?
Ana Laura diz:
todas aceitaram... mas no decorrer do curso atinamos para o projeto
experimental, que é o trabalho de conclusão de curso (tese)

Ana Laura diz:
e resolvemos adiantar o futuro.
Ana Laura diz:
Dentre várias modalidades havia o livro-reportagem, e nos enquadramos ali

Ana Laura diz:
Renata trabalhava na revista Imprensa, naquela época, e comentou com a
gente do movimento das prostitutas... logo pela manhã qdo entrava na
redação, na hora do almoço e no fim do expediente

Ana Laura diz:
apesar do tema ser "batido", achamos que poderia ser trabalhado e partimos para pesquisa. Para a nossa surpresa não encontramos nada com o viés que queríamos, jornalístíco
esther diz:
como?
Ana Laura diz:
o que fizemos Esther foi freqüentar durante quase 2 anos, todos os dias, a
Boca do Lixo. Entramos em cada boate, danceteria, café-teatro, puteiro que
imaginar

Ana Laura diz:
e contamos tudo que envolve a prostituição na Boca do Lixo de São Paulo,
com base nesse período

Ana Laura diz:
o livro é todo embasado em pesquisa de campo, apesar do parecer romance
pelo estilo narrativo-descritivo que adotamos

Ana Laura diz:
"Contos de Bordel - A prostituição feminina na Boca do Lixo de São Paulo"
esther diz
qual a idade de vocês na época?
Ana Laura diz:
falamos da prostituição feminina pq curiosamente nessa região oficialmente
determinada como Boca do Lixo só há prostituição feminina

Ana Laura diz:
as meninas tinham 22 e eu 24
Ana Laura diz:
qdo terminamos, eu tinha recém-completado 25 anos
Ana Laura diz:
estou com 28 anos
Ana Laura diz:
fizemos no período de 2000 e 2001
esther diz:
na lapa, no rio, em cada beco é uma especialidade. os drags etc e o que
acho bacana é ninguém invadir o território do outro
esther diz:
lá era só prostituição feminina?
Ana Laura diz:
e atualizamos em 2003 antes de lançar o livro
Ana Laura diz:
sim, só prostituição feminina
esther diz:
vocês então romancearam a cena?
Ana Laura diz:
citamos algumas histórias cariocas no livro, por conta de um dos
personagens, um dos principais clientes

Ana Laura diz:
adotamos uma unidade, mas tudo que ali está exposto, sem tirar nem por, é
real

Ana Laura diz:
adotamos a linguagem narrativa-descritiva para contar fatos reais
esther diz:
a abordagem foi difícil?
Ana Laura diz:
Inicialmente pensávamos que sim, mas na prática, não foi não
Ana Laura diz:
as prostitutas são muito carentes
esther diz:
como vocês se introduziam?
Ana Laura diz:
fomos na Boca do Luxo pra fazer um contraponto para o leitor... e pra mim
ficou a única essência de ligação entre as meninas ricas e as pobres: a
carência, a solidão

Ana Laura diz:
Cada menina, uma abordagem diferente
esther diz:
não entendi a diferença entre ricas e pobres
Ana Laura diz:
é o seguinte: se eu fosse traçar um paralelo entre as prostitutas da Boca
do Luxo e as prostitutas da Boca do Lixo, eu diria que a carência é o elo
de ligação entre os dois mundos

Ana Laura diz:
Muitas vezes na hora de entrevistá-las, ouvi: "O que? Você quer falar
comigo?", e olhavam para o lado achando que queria falar com outra pessoa

esther diz:
deu para sentir por que são mais carentes? é característica da profissão
ou elas demonstram mais do que nós que, em tese, não somos prostitutas?
Ana Laura diz:
e na hora que eu dizia naturalmente: "Sim, é com você mesma", o mundo
então se abria... e elas diziam coisas que nem imaginava que fosse
conseguir com facilidade

Ana Laura diz:
A carência vem do fato de serem muito desrespeitadas... de ninguém estar
alí para ouvi-las, mas para "consumí-las", creio

esther diz:
mas isto não acontece com todos nós? só que não queremos tomar
conhecimento? a mulher que vai para cama por obrigação? o homem que cede
princípios, a mulher que pactua e se omite, etc....
Ana Laura diz:
sim, Esther. Ao meu ver, e isso não tem nada a ver com o livro, vivemos
numa prostituição generalizada

Ana Laura diz:
quer coisa mais prostituida que a política?
esther diz:
seriam elas mais sensíveis, mais desarmadas, mais corajosas?
Ana Laura diz:
a prostituição ocorre de várias formas, em todas as profissões, todos os
dias, todas as horas

Ana Laura diz:
elas conseguem ser tudo isso, muito mais que isso, muito menos e nada
disso

Ana Laura diz:
elas conseguem ser o que desejam
esther diz:
e o que não desejam
Ana Laura diz:
sim, porque são muitos os motivos que as levam a se prostituirem
Ana Laura diz:
há muito drama por trás de cada história, mas tomamos o cuidado - e isso
ressalto - de não fazer nenhum juízo de valor

Ana Laura diz:
como mulheres, e ainda jovens também, nós, autoras, tivemos que vencer
primeiro nossos preconceitos antes de começar o trabalho

Ana Laura diz:
mas eu diria que em uma semana qualquer estereótipo que tínhamos foi por
terra

autoras_esquina_close.jpg
as autoras na esquina das avenidas ipiranga com são joão

esther diz:
derrida, em uma entrevista fala da precisão de rever o sentido família.
isto com relação aos homosexuais que desejam ter filhos e usam métodos
como inseminação e mãe ou pai de aluguel. sobre este ângulo, um novo
olhar, você conseguiu ver na prostiruição apenas uma forma de trabalho, ou
vai mais além?
Ana Laura diz:
Passamos a chamar informalmente de "o quadrilátero do sexo" a região da
Boca do Lixo, que é formada pela rua Aurora e pelas avenidas São João,
Ipiranga e Rio Branco, no centro de São Paulo.

Ana Laura diz:
Englobamos: mapeamento e ambientação do local, a perda da virgindade e o início na prostituição, a família, os romances, os clientes, a violência,
a bebida, o falso glamour (como muitos ali se referem), os proprietários,
a polícia, etc

Ana Laura diz:
Tentamos traçar uma visão geral
Ana Laura diz:
Tanto que descobrimos cinemas que têm "quartos" atrás das telas de
projeção...

Ana Laura diz:
conversamos com traficantes...
Ana Laura diz:
com tudo que envolve e engloba prostituição... dentro desse universo "Boca
do Lixo"

esther diz:
como vocês saíram desta experiência? de ver o mundo por debaixo do tapete?
Ana Laura diz:
essa é uma das perguntas mais difíceis pra te responder... não sei
dimensionar a mudança interior, mas sei que se antes as respeitava, hoje
respeito muito mais

Ana Laura diz:
acho que a chave de tudo não é "vitimizá-las" ou "heroizá-las", mas
tê-las como humanas... e como todos... capazes de atos bons e atos ruins

esther diz:
elas têm o mesmo anseio que todos? família, filho, amor ?
Ana Laura diz:
Nessa região, circulam prostitutas, empregados e empregadores do que
chamamos de "indústria do sexo", além, é claro, dos clientes, que estão
ali em busca de prazer. Esse mundo à parte da capital paulista é a
essência deste livro, que, sem procurar vítimas ou réus, apresenta uma
radiografia sem distorções da prostituição feminina da região. Contamos
apenas o que vimos, ouvimos, checamos.

esther diz:
a clientela da boca do lixo pertence a que classe econômica e social?
Ana Laura diz:
e presenciamos. Foram cerca de 150 entrevistadas. Histórias excelentes que
ficaram de fora qdo alguém se negou, geralmente por medo

Ana Laura diz:
elas têm o mesmo anseio, claro, família, filho amor ? a clientela pertence
a que classe econômica, a da boca do lixo? (vou responder as duas)

Ana Laura diz:
elas têm anseio pela vida, por dias melhores... mas não sonham com
castelos no céu

Ana Laura diz:
elas recebem prposta de casamento todos os dias, e a maioria nega
veementemente porque não querem ficar presas financeiramente a uma pessoa.
querem ser independentes

Ana Laura diz:
mas muitas são casadas, e seguem na profissão. Muitas vezes os maridos
dependem daquela renda para manter a casa...

Ana Laura diz:
muitas dizem que estão ali porque gostam. outras, porque necessitam
Ana Laura diz:
a maioria se prostitui não porque é "vida fácil". Mas por conseguir
dinheiro alto e rápido

Ana Laura diz:
Quanto à clientela, se vê de tudo
Ana Laura diz:
o cliente que virou o principal no livro, por exemplo, é um milionário
conhecido de uma importante instituição financeira

esther diz:
ele foi entrevistado?
Ana Laura diz:
em suma, encontra-se gente deveras simples e deveras abonada nesse
local..
.
Ana Laura diz:
sim, ele foi entrevistado... é com ele que abrimos o capítulo IV, "O
comedor"

Ana Laura diz:
no geral, a classe média (se é que isto ainda existe em nosso país) e
baixa lidera a população desses locais

Ana Laura diz:
mas os fetiches são muitos, e a clientela também
esther diz:
qual o mais comum fetiche?
Ana Laura diz:
mulher que faz strip e faz programa de salto alto
Ana Laura diz:
mas é difícil generalizar
esther diz:
vocês passaram por perigos?
Ana Laura diz:
tem gente que se realiza, que goza quando a prostituta urina em sua
boca... ou defeca...

Ana Laura diz:
Na primeira semana a Rê chamou um amigo, mas não deu certo. Não
conseguíamos aproximar de ninguém, e ninguém se aproximava pq julgavam
estarmos acompanhadas

Ana Laura diz:
depois dessa experiência, fomos as três, sozinhas
Ana Laura diz:
às vezes entrávamos em duas e uma ficava do lado de fora... pq se alguém
se queimasse, tínhamos ainda quem salvasse...

Ana Laura diz:
mas sim, os perigos foram muitos
Ana Laura diz:
foi um instante em que paramos para analisar, respiramos fundo e eu disse:
"Desculpe, meninas... mas não escolhi jornalismo de boutique. A fala é
meio ou totalmente preconceituosa, mas espelha muito do que sinto e penso
sobre a profissão... sobre a minha forma de existir no e para com o mundo

Ana Laura diz:
Ali não havia meio termo... ou parávamos ou seguíamos... e seguimos
Ana Laura diz:
até contamos no making off no livro...
Ana Laura diz:
perseguição de skinhead, que não tem a ver com a prostituição, mas está
tudo ali no meio em que tudo ocorre

Ana Laura diz:
cheguei a levar facada na barriga
esther diz:
não brinca?
esther diz:
e aí?
Ana Laura diz:
graças a Deus, pegou de raspão
Ana Laura diz:
sapecou de fora a fora... rasgou minha blusa hering...
esther diz:
por que foi?
Ana Laura diz:
conversava com uma prostituta de rua (ahhh, sim... importante: o que uma
prosti de rua faz, nem sempre a de boate faz)

Ana Laura diz:
e ouvi um grito de uma garota mais adiante: "Olha a faca". Entre olhar pra
trás e pra frente, cadê as meninas??

Ana Laura diz:
O cara que vinha correndo com uma peixeira na mão estava tão próximo de
mim, que pensei em milésimos de segundos: "Se ele quiser uma prostituta
qualquer, não vou ter tempo de dizer que não sou uma" (afinal, estava no
meio delas).

Ana Laura diz:
Se ele estiver atrás de alguém, com certeza não é de mim... (porque
traficante mata, mas é a bala, na maioria das vezes)

Ana Laura diz:
se eu corresse, perderia a dimensão da cena. fiquei parada e a lâmina
desfilou um pouco abaixo do seio até a barriga

Ana Laura diz:
cena de "crocodil dundee" (não sei a grafia correta do filme)
esther diz:
deixou marca?
Ana Laura diz:
saiu...
Ana Laura diz:
três meses depoi fiz teste de HIV
Ana Laura diz:
e repeti depois
esther diz:
afinal, o que ele queria?
Ana Laura diz:
mas isso eu não contava pra ninguém
Ana Laura diz:
ele queria matar justamente a menina que estava conversando comigo
Ana Laura diz:
nessa dele passar a faca em mim, a gente se olhar, ele continuou correndo
Ana Laura diz:
daí, dei nó na minha blusa (bustiê na região da Luz, tem noção? ali não é
boca do lixo, mas a cracolândia)

Ana Laura diz:
e corri atrás dele... pq tinha que descobrir o que era
Ana Laura diz:
em suma: um cliente que tinha pedido a mão da garota em casamento. ela
negou. ele disse que se ela não fosse dele, não seria de mais ninguém.

Ana Laura diz:
naquele dia, pelo menos, ela conseguiu escapar.
esther diz:
ana, diz a editora e onde comprar o livro, por favor
Ana Laura diz:
Editora: Carrenho Editorial
ISBN: 85-88371-10-3
Formato: 14 x 21 cm
Nº páginas: 160
Preço: R$ 29

onde comprar: Livraria Cultura, Saraiva, Siciliano, Fnac, Nobel, Espaço
Unibanco de Cinema, Livraria Belas Artes, etc, respectivos sites - além do
Submarino e Americanas.com

Ana Laura diz:
Isto sem falar dos laçadores, que assediam os pedestres para que entrem,
vejam os espetáculos e gastem em bebidas.

Ana Laura diz:
uma das curiosidades e surpresas para a gente, que nunca tinha entrado
nesta região, nesse mundo, foi descobrir que a prostituição, o que
acabamos por chamar de indústria do sexo, não é movimentada pelo sexo em
si, mas pela venda de bebidas alcóolicas

Ana Laura diz:
Muitas nem fazem sexo, só strip e bebem juntas com os clientes
Ana Laura diz:
Quem faz strip recebe 50% do que é vendido para os clientes
Ana Laura diz:
Quem não faz, 40%
Ana Laura diz:
na região da Luz, onde levei facada, não entramos a fundo pq oficialmente
está fora da boca do lixo... ali é conhecida como a "cracolândia"... e
apesar de as pessoas se prostituirem em troca de um sanduíche ou um passe
de ônibus, sai fora do traçado

Ana Laura diz:
prostituição infantil não foi encontrada nesses locais
Ana Laura diz:
nós não vimos n Boca do Lixo (na região da Luz, tem)
Ana Laura diz:
(aliás, lá, tem famílias inteiras: avó, filha, neta..)
Ana Laura diz:
O lucro das garotas de programa nem sempre vem dos programas. Muitas
vezes, elas faturam bem mais com as comissões recebidas pela venda de
bebidas. Uma cerveja pode custar até R$ 12 na Boca do Lixo, e uma dose de
whisky nacional é cotada a mais de R$ 25.

Ana Laura diz:
Se um cliente se recusa a pagar a conta das bebidas, o problema nem sempre chega na delegacia e muitas vezes é resolvido no próprio estabelecimento.
Há casos até de clientes que apanham das próprias garotas.

Ana Laura diz:
O preço médio de um programa na região é R$ 50,00
Ana Laura diz:
O preço dos programas é negociado diretamente com as garotas e o hotel é
sempre por conta do cliente.

Ana Laura diz:
Há prostitutas casadas que fazem programas com o consentimento do marido; outras, escondem da família. Há casos de prostitutas que fazem programas mesmo estando grávidas.
Ana Laura diz:
É isto. Basicamente.

esther diz
a vida, a vida arde. não é hi-fi nem high-tec. é vida, pois não?

terça-feira, novembro 09, 2004

carta para clemilce

cara clemilce,

como vai passando, mais o augusto e a celeste? espero que estejam todos bem de saúde, assim como dona anunciata. escrevo-lhe estas mal traçadas linhas para dizer que ando sumida por conta de uma plantação de milho e feijão. já está passando do tempo, né mesmo? outubro já foi e novembro vai meando.

ainda mais cismei de limpar as traíras do lago. acredita que elas devoram os filhotes das tilápias, quando não as adultas? mas depois de uma trabalheira sem tamanho, de perder todos os peixes inclusive as traíras que desviei para o rio no afã de secar o lago, fui informada de que não adianta nada pois os ovos delas vêm nas asas das garças, escorregam do bico dos passarinhos e proliferam.

eu não sou fã de traíra, tirando uma que é servida pelos lados de cataguazes, sem espinha e um sabor de lamber os beiços. prefiro a carne da tilápia. mas estou vendo que terei de inventar uma maneira para que os dois peixes convivam no mesmo espaço.

e isto tudo acontecendo com o romário faltando por causa de uma gripe. onde já se viu? eu que nunca deixei de trabalhar , nem quando quebrei as costelas, tenho um empregado de campo que falta duas semanas por conta de um resfriado.

ontem ele veio. hoje não apareceu. amanhã mando embora.

como pode ver minha amiga, ando por conta do plantio, de empregado faltoso e cuidando que o lago fique bonito. eu contratei um homem forte para limpar bem o fundo. e com ele vazio vi como é grande. penso em comprar um bote para remar de cá para lá.

só fico apreensiva com o sol daqui. estou coberta de caladril para aliviar as dores da queimadura do sol na pele.

é isto aí, amiga. agora vou continuar minha leitura de “mil platôs”, segundo volume, um livro muito bom escrito por giles delleuze e felix guatari, com o corpo ardendo e tremendo de frio sem poder me agasalhar. agruras do sol.

beijos na família, ah, no frederico também e nas crianças. diga que um dia apareço, quando menos esperar. é só terminar com a poda da lua minguante, resolver o caso do rio, plantar o milho a abóbora e o feijão que o tempo sobra.

breve escrevo, comadre.

ps. as rúculas estão com um sabor delicioso. creio que é por causa da terra. sempre te disse, clemilce; cada pedaço de terra deixa um sabor diferente nas frutas, verduras e legumes. e perfume mais ou menos intenso nas flores. repara.
sem contar que surge um nationalisme ivoirien cá por casa. sur fond de crise économique n'est pas. philosophie de l’ivoirité, peut être. dando nome ao inominável. mas sempre em espelho.

segunda-feira, novembro 01, 2004

kombida

vendo a língua portuguesa como um todo, complica mesmo. o ideal é ver pela
metade. assim; entre um agá e outro.

em verdade, em verdade vos digo : morro de rir com as mensagens que recebo . acredito que elas já deveriam estar no limbo,mas repentinamente são ressuscitadas, como se estivessem perdidas em algum lugar da infovia, e encontram na caixa de mensagem do mais impaciente um lugar onde baixar e levantar poeira.

neste primeiro momento do link reparo como em casa brasileiro rezinga, mas
de bobagem; não questiona as taxas e sobretaxas que paga por cada grão que
come, o aumento da gasolina, da água... destas coisas banais ninguém
reclama . somente resmunga de si para consigo. mas do café com broa e da
dona anunciata, haja troca de desaforo!


do j. eduardo:

"NOOOOOSSA! de repente foi ressuscitada essa mensagem da Dna
Annunciata????
A do Café com Bolo de Fubá não tava mais legal ???
(Desculpe pessoal, mas não deu prá resistir...uahauahauahauaha) "


de regina:

"Um dos motivos que me fizeram sair do ORKUT foram estas msgs absurdas que
vc é obrigado a receber... Não imaginei que aqui também teria que
engolí-las...
Na verdade eu quero que esta tal de Dona Annunciata se f....."


replica de j. eduardo:

"É regina vc não deveria mesmo participar de comunidades pq vc naum tem
educação e nem respeito pelas pessoas!!!"


fala armanda:

"Me mantive quieta até agora..mas vcs não param!!!
Que tal um cafézinho?? rsrsrsrs"


da lorrene:

"Por favor, parem de usar o comando 'enviar mensagem' da comunidade LINK,
todo dia eu recebo dezenas de mensagens desnecessárias e infelizmente
ainda não posso bloquear esse recebimento.
Para discussão usem o fórum, que aliás tem vários tópicos falando sobre
isso e quem gosta/não gosta desse envio, favor discutir no fórum, ou seja, não vamos
responder também essa mensagem, que eu só estou enviando depois
de semanas acompanhar esse recebimento, diversos avisos no fórum, e ele
ainda continuar.
Sem mais,
Lorrene."


enfim, o debafo de reynena, filha da dona anunciata

"Os incomodados que se mudem!!!
Uma comunidade tão pequena e tão cheia de stressados e mal educados!!!
Sai fora e naum reclama!
Essa comunidade minúscula e vcs com essa indiposição de se comunicar com
as pessoa. O QUE QUE É ISSOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO"



eu lidava com um campeiro que em vez de diminui falava diminói. peguei o vício pois quem tem sangue ab pega tudo fácil demais.

tenho certeza de que ficarei viciada no jargão ou dialeto do naum. assim como é impossível esquecer a kombida que dona conceição, a amiga que trabalhou 22 anos lá em casa, anunciava aos berros para meu filho que se atrasara no banho:"corre, anda logo, a kombida chegou."dizia ela referindo-se a uma kombi.

que mania tem a língua de encompridar as palavras para encontrar descanso.
kombi é uma freada brusca;já kombida é como um cabide onde a fala descansa
no da.

"um rizoma não começa nem conclui, ele se encontra sempre no meio, entre as coisas, inter-ser intermezzo. a árvore é filiação, mas o rizoma é aliança, unicamente aliança". gilles deleuze e félix guattari em "mil platôs"